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fallenforever
16/01/2004 19:58
heis um mail muito loko que eu recebi
Luiz Fernando Veríssimo: DIGA NÃO ÀS DROGAS (você pode estar viciado)
Tudo começou quando eu tinha 14 anos e um amigo chegou com aquele papo de "experimenta, depois quando você quiser é só parar..." e eu fui na dele. Primeiro ele me ofereceu coisa leve, disse que era de "raiz", "da terra", que não fazia mal, e me deu um inofensivo disco do
Chitãozinho e Xororó e em seguida um do Leandro e Leonardo. Achei legal, coisa bem brasileira; mais a parada foi ficando mais pesada, o consumo cada vez mais freqüente. Comecei a chamar todo mundo de "amigo" e acabei comprando pela primeira vez. Lembro que cheguei na loja e pedi
- Me dá um CD de Zezé de Camargo e Luciano.
Era o princípio de tudo! Logo resolvi experimentar algo diferente e ele me ofereceu um CD de Axé. Ele dizia que era para relaxar! Sabe, coisa leve... "Banda Eva", "Cheiro de Amor", "Netinho", etc.
Com o tempo, meu amigo foi oferecendo coisas piores: "É o Tchan",
"Companhia do Pagode", "Asa de Águia" e muito mais. Após o uso contínuo eu já não queria mais saber de coisas leves, eu queria algo mais pesado, mais desafiador, que me fizesse mexer a bunda como eu nunca havia mexido antes, então meu "amigo" me deu o que eu queria, um CD do "Harmonia do Samba".
Mas, depois de muito tempo de consumo, a droga perde efeito, e você começa a querer cada vez mais, mais, mais, mais... Comecei a freqüentar o submundo e correr atrás das paradas. Foi a partir daí que começou a minha decadência. Fui ao show de encontro dos grupos "Karametade" e "Só pra Contrariar", e até comprei a Caras que tinha o "Rodriguinho" na capa.
Quando dei por mim, já estava com o cabelo de loiro, minha mão tinha crescido
em função do pandeiro, meus polegares já não se mexiam por eu passar o tempo todo fazendo sinais de positivo. Não deu outra: entrei para um grupo de Pagode. Enquanto vários outros viciados cantavam uma "música" que não dizia nada, eu e mais 12 infelizes dançávamos alguns passinhos ensaiados, sorríamos e fazíamos sinais combinados. Lembro-me de um dia quando
entrei nas Lojas Americanas e pedi a coletânea "As melhores do Molejão".
Foi terrível!! Eu já não pensava mais!! Meu senso crítico havia sido dissolvido
pelas rimas miseráveis e letras pouco arrojadas. Meu cérebro estava travado, não pensava em mais nada. Mas a fase negra ainda estava por vir.
Cheguei ao fundo do poço, no limiar da condição humana, quando comecei a escutar
"Popozudas", "Bondes", "Tigrões", "Motinhas" e "Tapinhas".
Comecei a terdelírios, a dizer coisas sem sentido.
Quando saia à noite para as festas pedia tapas na cara e fazia gestos obscenos. Fui cercado por outros drogados, usuários de drogas mais estranhas; uns nobres queriam me mostrar
o "caminho das pedras", outros preferiam o "caminho dos templos".
Minha fraqueza era tanta que estive próximo de sucumbir aos radicais e ser dominado
pela droga mais poderosa do mercado: a droga limpa. Hoje estou internado em uma clínica.
Meus verdadeiros amigos fizeram a única coisa que poderia ser feito por mim.
Meu tratamento, está sendo duro: doses cavalares de Rock, MPB, Progressivo e Blues.
Mas o meu médico falou que é possível que tenha que recorrer ao Jazz e também a Mozart e Bach. Queria aproveitar a oportunidade e aconselhar as pessoas a não se entregarem a esse tipo de droga.
Os traficantes só pensam no dinheiro. Eles não se preocupam com a saúde, por
isso tapam sua visão para as coisas boas e te oferecem drogas.
Se vocênão reagir, vai acabar drogado, alienado, inculto, manobrável, consumível,
descartável e distante; vai perder as referências e definhar mentalmente.
Em vez de encher a cabeça com porcaria, pratique esporte e, na dúvida, se não
puder distinguir o que é droga ou não, faça o seguinte: não ligue a TV no domingo à tarde; não escute nada que venha de Goiânia ou do interior de São Paulo, não entre em carro com adesivos "Fui...". Se te oferecerem um
CD, procure saber se o suspeito foi ao programa da HEBE ou se apareceu no
Sabadão do Gugu; mulheres gritando histericamente é outro indício, não compre nenhum CD
que tenha mais de seis pessoas na capa, não vá aos shows em que os suspeitos façam gestos ensaiados, não compre nenhum CD que a capa tenha nuvens ao fundo, não compre CD que tenha vendido mais de 1 milhão de cópias no Brasil e não escute nada que o autor não consiga uma
concorrência verbal mínima. Mas, principalmente, duvide de tudo e de todos.
A vida é bela! Eu sei que você consegue! Diga não às drogas!
enviada por NIGHTCRaWLER
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